RESENHAS

Por Lugares Incríveis – Jennifer Niven

Oi, boa noite leitores!

Apesar de estar postando essa resenha à noite, a parte escrita foi feita durante a madrugada de sábado passado.

Acabei de ler “Por Lugares Incríveis” e acho que é o melhor momento para escrever o que estou sentindo, o que o livro representa. Estou um pouco impressionada, surpresa com a maneira como ele me tocou e o turbilhão de sentimentos que causou. Além é claro das frases soltas, momentos e pensamentos que estão percorrendo minha cabeça.

Flynn é um jovem conhecido e tratado na escola como uma aberração, ele sobre bullyng por causa do seu estilo e sua maneira de ser. Tem poucos amigos, seus pais são separados e não possui namorada fixa. Poucas são as pessoas que realmente se preocupam com ele, a maioria prefere imaginar que esse jeito dele é normal, apenas da idade talvez, que não se passa de uma simples fase.

Violet é ou foi uma jovem popular, líder de torcida, a namorada de um dos garotos mais estimados da escola e uma ótima escritora, inclusive uma das criadoras de um blog de sucesso e reconhecido por muitas pessoas. Sempre feliz e muito amada pela família e os amigos, ve seu mundo virar de ponta cabeça quando a irmã morre em um acidente de carro. O impacto é tão grande que a mesma não sabe como prosseguir com sua vida, como continuar, voltar a rir sabendo que um ente querido não pode mais ouvi-la e mais, saber que a ideia de mudar o trajeto foi dela e que talvez se não tivesse opinado, o acidente poderia ter sido evitado.

Flynn e Violet se conhecem na torre da escola, ele vai para o local porque isso o faz repensar a vida, um passo e a vida que um minuto atrás estava intacta pode simplesmente
evaporar. E é nesse mesmo local que ele conhece a jovem, não consegue acreditar o por que dela estar no parapeito, por isso com cautela a ajuda e juntos voltam para um lugar seguro, mas é claro que para todos da escola, ele é a grande aberração e a jovem quem o salvou de uma tragédia e não o contrário.

Inicialmente isso se torna um segredo dos dois, para todos ele é que iria se jogar lá de cima e não ela. Ele tenta se aproximar para conversar e tentar entender o porque dela ter sequer pensado na ideia de cometer um ato irreversível e ela apesar de se manter fechada, aos poucos vai cedendo e tentando entender melhor sobre Flynn, o estranho menino que a salvou.

Entre poucas palavras e olhares, Violet e Flynn acabam se conhecendo e passando mais tempo juntos por causa de um projeto proposto na aula de geografia. A ideia é simples,
teriam que escrever sobre duas ou três maravilhas de Indiana, registrando tudo através de fotos, videos e anotações. O que parece ser apenas um exercício de sala, acaba mudando a vida dos dois jovens, ele consegue ajudá-la e a faz compreender quem é a verdadeira Violet e conhecer mais sobre seus respectivos sonhos, medos e anseios e ela vai ajudando Flynn a se conhecer e mostrar que a vida tem um grande valor e que juntos podem se divertir e encontrar o prazer que a vida pode lhes proporcionar.

Ao invés de apenas 2 ou 3 lugares, juntos escolhem diversas localizações com pontos marcantes e a cada tarefa completa vão deixando objetos e suas marcas. Ele a ajuda com
o medo de carro e também com a escrita e pouco a pouco Violet volta a sentir bem escrevendo e até pensa em criar um novo blog com ideias distintas.

Durante toda a história, um ajuda o outro, seja com palavras ou gestos e ao final acabam terminando o trabalho de geografia juntos, não da maneira convencional, mas
ainda sim próximos.

O tema suicídio ainda é visto como um tabu, é um assunto meio polêmico que poucos compreendem, acham um absurdo a pessoa acabar com a vida dessa maneira, como se ela
tivesse escolha e simplesmente agisse assim por gostar. É mais difícil do que se pensa, pessoas com problemas psicológicos são tão ou mais doentes que os que estão
sofrendo de algum dano físico. Triste saber que em casos onde por algum motivo a pessoa quis acabar com seu sofrimento é vista de forma tão relapsa, em muitos enterros
nem sequer são valorizadas e poucos são os que levam flores, algo tão simples, mas importante e simbólico. Já ouvi sobre alguns casos de suicídio na minha cidade
e de alguém próximo que chegou a pensar, mas que felizmente não cometeu e eu sempre fico muito sensibilizada, penso no assunto por dias, meses e tento compreender
o porque disso ter que ocorrer, é tão deprimente e triste saber que uma pessoa chega ao ponto de não conseguir achar felicidade em lugar algum e que a única solução
que encontra e que imagina que vai lhe libertar e fazer se sentir bem é acabar com a própria vida. Por isso devemos discutir mais sobre o assunto, pois quanto mais se falar, mais casos serão evitados. A solidão é algo que nem sempre é percebida, seja porque a pessoa esconde muito bem ou porque ultimamente sinto que poucos são os que realmente se preocupam e querem saber sobre os sentimentos e como o outro está se sentindo, basta pensar na forma
mais banal de cumprimento: Oi, tudo bem? quantos que realmente param para ouvir e não apenas viram as costas e vão correr com suas vidas. Não digo que temos que ficar o
dia todo contestando e abordando conhecidos para saber o que se passam em suas vidas, mas uma palavra amiga, um sorriso, um mimo não somente muda um dia, como às vezes pode fazer toda a diferença.
Eu relutei muito em ler esse livro, eu vi a indicação através do Book Club, enrolei e fiquei pesquisando resenhas para saber sobre o desfecho por medo e hoje posso dizer que apesar de sentir um aperto no coração, eu agradeço. Ele dá um choque de realidade absurda, daqueles que te fazem refletir por horas a fim. Comecei a ler e senti uma certa leveza da autora em falar sobre casos de grandes personalidades que partiram cedo e imaginei que fosse ficar assim, mas aos poucos ela vai aumentando a carga para que o leitor não se assuste a ponto de abandonar o livro, eu confesso que quase o fiz, mas no fundo sabia que não poderia, ainda mais porque se o fizesse estaria confirmando algo que não concordo que é fugir do assunto, fingir que ele não existe. Por mais baqueada que eu esteja, agora compreendo um pouco mais, sinto muito pelas famílias que já perderam alguém e mais, sinto pelas pessoas que não conseguiram se encontrar, que se sentiram sozinhas e que não puderam contar com ninguém ou até mesmo não sentiam que mereciam a atenção, por vergonha ou por se sentirem sem valor.

porlugares

Essa é minha maior resenha, isso se deve talvez por eu estar escrevendo logo após ler e as emoções ainda estarem fortes.
Sintam se à vontade para comentar, eu recomendo a leitura a todos, ele é um daqueles livros que leitores mais sensíveis vão chorar muito, mas todos vão tirar uma bela lição e poderão compreender melhor o que se passa com pessoas que já não se sentem tão bem nesse mundo e que pensam que a única solução é partir.

Boa leitura, beijos! ♥

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10 comentários em “Por Lugares Incríveis – Jennifer Niven

  1. Ual, esse livro parece ser incrivelmente tocante. Realmente o suicídio, assim como a depressão ainda é um tema abordado na literatura na forma “pisando em ovos”, então é legal quando alguém aborda assim. Adorei a resenha, parabéns e super beijo 😀

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  2. Livro maravilhoso e muito, muito importante para entender como funciona a saúde mental ♡
    Linda sua resenha, me identifiquei muito com seus pensamentos sobre o livro, relembrei todos os sentimentos qur senti quando li também! *-*-*

    Curtido por 1 pessoa

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